De acordo com a OMS*, aproximadamente 500 milhões de pessoas são infectadas com o protozoário Entamoeba histolytica, predominantemente em regiões tropicais e subtropicais.
Em países industrializados, a infecção é encontrada em turistas retornando de regiões endêmicas e imigrantes.
A infecção pode causar disenteria intestinal e/ou doenças extra-intestinais. Em casos mais graves, pode ocorrer anemia, necroses extensas da mucosa, colite ulcerativa, apendicite, perfuração intestinal e peritonite.
Os parasitas podem chegar a outros órgãos através da circulação, especialmente ao fígado, onde provocam a formação de abscessos e o desenvolvimento de um quadro freqüentemente fatal. Em muitos casos, a infecção é subclínica e em alguns casos não desenvolve nenhum sintoma potencialmente patogênico por vários anos após o contato como o protozoário.
Por isso que anualmente apenas 10% das pessoas infectadas apresentam manifestações clínicas de amebíase. Apesar disso, destes 50 milhões de casos, 100.000 são fatais. Conseqüentemente, a amebíase é a segunda causa de morte de doenças causadas por protozoários, perdendo apenas para a Malária.
As infecções por E. histolytica são causadas pela ingestão de água ou alimentos contaminados. Após a ingestão dos cistos, o parasita assume sua forma vegetativa (trofozoíta) no intestino delgado, vindo a colonizar o intestino grosso. O trofozoita é extremamente invasivo, estimulando o sistema imune a produzir anticorpos específicos.
O diagnóstico laboratorial de amebíase intestinal é realizado pela detecção direta dos cistos nas fezes, pelo método convencional de microscopia. Contudo, deve-se testar duas ou três amostras consecutivas para certifica-se de obter sensibilidade suficiente. Mesmo parasitologistas experientes identificam apenas 75% das amostras de fezes quando apenas uma amostra é testada.
Além disso, a presença de Entamoeba díspar também pode dificultar o diagnóstico microscópico. E. díspar é um tipo de Entamoeba não patogênico o qual não pode ser distinguido da E. histolytica na microscopia, e hoje, acredita-se ser o estagio não patogênico da E. histolytica. Apenas a utilização de métodos moleculares revelou a presença das duas espécies.
Contudo, o problema de reação cruzada com a E. díspar permanece. A diferenciação entre dispar/histolytica em amostras fecais positivas só pode ser feita pela detecção do anticorpo específico. Em contraste a E. díspar, a E. histolytica induz a formação de anticorpos devido a sua patogenicidade.
Se a amostra de fezes obtiver um resultado positivo, a amebíase intestinal deve ser verificada pela detecção dos anticorpos. Em casos isolados, contudo, os títulos de anticorpos podem permanecer abaixo no limite de detecção. Nesses casos, a decisão terapêutica não pode basear-se apenas no diagnóstico laboratorial, caso exista sinais clínicos suficientes.
Detecção do antígeno (teste parasitológico) - diagnóstico inicial
Se a amostra apresentar resultado positivo, realizar a detecção do anticorpo:
Detecção de anticorpo - diagnóstico secundário
Detecção do anticorpo
Positivo: E. histolytica
Negativo: E. díspar
O Abscesso hepático causado pela amebíase extra intestinal pode ser diagnosticado inicialmente através do diagnóstico por imagem. Contudo, este teste sozinho não é suficiente, para diferenciar abscessos de outras gêneses. Também não se recomenda a punção para fins diagnósticos, por ser muito raro a identificação da E. histolytica em punções hepáticas. Também neste caso, recomenda-se a detecção dos anticorpos como um segundo estágio do diagnóstico.
1. Estágio diagnóstico
Se suspeito:
2. Estágio diagnóstico
Em casos de abscesso hepático causado pela ameba, a detecção dos antígenos nas fezes não é um método recomendado, já que os cistos da E. histolytica não estão mais presentes nas fezes.
O teste sorológico é o teste mais sensível para detecção de anticorpos em ambos os casos (amebíase intestinal e extraintestinal). Ao mesmo tempo recomenda-se que o teste tenha uma alta especificidade. Reação cruzadas de anticorpos são especialmente comuns em caso de doenças parasitárias.
O teste RIDASCREEN® E. histolytica IgG foi testado em um experimento conduzido pelo Instituto de Medicina Tropical de Berlin. O estudo utilizou soros obtidos de pacientes com amebíase intestinal e abscesso hepático causado pela ameba (ALA). No grupo dos pacientes com ALA houve 100% de concordância, 100% de sensibilidade.
No outro grupo apenas um soro não foi detectado, sensibilidade de 96,2% para pacientes com amebíase intestinal. Para verificar a especificidade, foram testados soros de doadores de sangue de regiões endêmicas e não endêmicas assim como soro de pacientes com outras doenças parasitária.
No grupo de doadores de sangue, a especificidade foi de 98,8%, enquanto no grupo de pacientes com outras parasitoses foi de 88,5%. Contudo, deve se analisar que este último grupo provém de regiões endêmicas para E. histolytica.
A positividade neste grupo pode referir-se a reações não específicas ou a reações com anticorpos específicos de pacientes não diagnosticados previamente para E. histolytica. Quando estiver interpretando a presença de anticorpos deve ser analisado sob a possibilidade dos mesmos resultarem de infecções prévias, especialmente em regiões endêmicas. Nesse caso, a detecção dos anticorpos é apenas um elemento diagnóstico.
*Organização Mundial de Saúde

Detecção de anticorpo
RIDASCREEN E. histolytica IgG
em soro humano
diluição de 1:50
controle positivo e negativo
100 µL de amostra
15 min à TA
Lavar 5 vezes
100 µL de conjugado
15 min à TA
Lavar 5 vezes
50 µL de substrato
50 µL de cromógeno
15 min
50 Stop
Leitura 450nm
ápido procedimento técnico e reagentes pronto para uso e com frascos em conta gotas.
Detecção de antígeno
RIDASCREEN E. histolytica
preparo de amostra
controle positivo e negativo
100 µL de amostra
100 µL de conjugado
60 min à TA
Lavar 5 vezes
100 µL de substrato
15 min
50 Stop
Leitura 450nm
Reação com apenas um passo de lavagem e reagentes pronto para uso e em frascos em conta gotas.
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